1 - INTRODUÇÃO

Deficiência é a perda ou a limitação de uma função ou estrutura do organismo, podendo ser física, psicológica ou fisiológica, que gera incapacidade para se desempenhar atividades consideradas normais para os padrões humanos. Uma grande parcela da população mundial é portadora de algum tipo de deficiência, que pode ser causada por doenças, acidentes, condições sócio-econômicas inadequadas, fatores hereditários e genéticos.

Prevenção é o conjunto de ações destinadas a impedir ou diminuir a incidência de fatores de risco para situações que têm como conseqüência, as limitações físicas, mentais e sensoriais. Estima-se que aproximadamente a metade dos casos podem ser evitados tomando-se múltiplas medidas preventivas. Estas medidas podem ser adotadas mesmo antes do casamento, realizando-se exames pré-nupciais para afastar possibilidade de existência de fatores de risco durante a gravidez, no nascimento e durante toda a vida do indivíduo.

A prevenção pode ser realizada em 3 níveis:

  1. PREVENÇÃO PRIMÁRIA: Medidas tomadas antes mesmo que ocorram os fatores responsáveis pela deficiência.
  2. PREVENÇÃO SECUNDÁRIA: Medidas adotadas após ocorrer a lesão e antes que a mesma se estabeleça, visando impedir seqüelas temporárias ou permanentes.
  3. PREVENÇÃO TERCIÁRIA: Medidas adotadas depois de instalada a lesão, com ações para impedir que as seqüelas se agravem, proporcionando melhoria da qualidade de vida.

1. PREVENÇÃO PRIMÁRIA

Ações realizadas antes da gravidez:

  • Serviços de saneamento básico: abastecimento de água, coleta de lixo e tratamento de esgoto.
  • Vacinação anti-rubéola.
  • Orientação sobre fatores de risco para gerar uma criança com anomalias genéticas, por exemplo: casamento entre parentes próximos, gravidez em mulheres com menos de 15 anos ou mais de 35 anos, presença de deficiência provocada por causa genética nos pais ou na família, que possa ser passada para a geração futura.
  • Evitar exposição dos pais ao Raio X.
  • Verificação do tipo sanguíneo e fator Rh do casal.
  • Atenção à história de hipertensão, diabetes, infecções.



Ações realizadas durante a gravidez ( Pré-natal).

  • Fazer acompanhamento médico regularmente, conforme determinado pelo médico.
  • Prevenir doença hipertensiva específica da gravidez.
  • Identificar e tratar doenças infecciosas como rubéola, sífilis, toxoplasmose, citomegalovirus, AIDS.
  • Identificar e tratar doenças como anemia, diabetes, desnutrição, obesidade, nefropatias, hipotireoidismo.
  • Evitar automedicação - Existem substâncias que prejudicam a formação e o desenvolvimento fetal, sendo um grande exemplo a talidomida.
  • Proibir consumo de carnes cruas e mal-cozidas – Que pode ser um meio de transmissão de doenças, como por exemplo a cisticercose.
  • Combater o fumo e a desnutrição, que podem contribuir para o baixo peso fetal.
  • Evitar ingestão de bebidas alcoólicas e exposição a tóxicos, relacionados com aumento da incidência de má formação fetal.
  • Evitar contatos com animais domésticos, particularmente o gato, devido ao risco de Toxoplasmose.
  • Conscientização a respeito das tentativas de aborto - Ultimamente observou-se a associação entre o uso do misoprostol e a Síndrome de Moebius, que é uma síndrome congênita caracterizada por paralisia dos nervos faciais e abducente em associação com má formação de membros. O misoprostol é um medicamento indicado para úlcera péptica, hoje com a venda proibida, que age na contratilidade do útero, podendo provocar o aborto. Além da causa congênita, observou-se o aumento da incidência da síndrome em fetos que sobreviveram à tentativa de aborto com o uso da droga.

Ações realizadas na ocasião do parto.

  • Assistência adequada ao parto e ao recém nascido, em maternidade com equipe preparada, apresentando suficiente quantidade de leitos, UTI neonatal, centro cirúrgico capacitado e berçário bem equipado, se possível com presença do pediatra.
  • Identificação e correção rápida de sofrimento fetal (anóxia fetal).

Ações realizadas após o nascimento e ao longo da vida.

  • Realizar o teste o “Teste do Pezinho”, entre 48 h de vida e o 30º dia pós nascimento, para detectar a existência de duas doenças congênitas: o hipotireoidismo congênito e a fenilcetonúria, que podem causar distúrbios mentais, mas não serão problema, se detectadas e tratadas precocemente. Realizado gratuitamente na rede pública.
  • Realizar o teste da orelhinha, capaz de detectar problemas auditivos precocemente.
  • Incentivar o aleitamento materno.
  • Promover a vacinação.
  • Acompanhamento pediátrico do desenvolvimento e crescimento do bebê.
  • Proteger a criança contra acidentes domésticos, evitando deixa-la sozinha, mantendo-a longe da piscina, do fogo, das tomadas, objetos cortantes, armas de fogo, medicamentos e produtos de limpeza.
  • Prevenção de acidentes de trânsito.
  • Controle da violência.
  • Acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e LER (lesão por esforço repetitivo): podem ser evitados através do cumprimento da legislação e de medidas de fiscalização, organização sindical e redução dos ritmos de trabalho, diminuindo os excessos e melhorando as condições de trabalho.
  • Prevenção de doenças infecciosas através de políticas de saúde pública.
  • Prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares e do diabetes, assim como de suas conseqüências, como o acidente vascular cerebral, a doença vascular periférica arterial e venosa, o pé diabético, as amputações, a cegueira e a insuficiência renal, dentre outras, diretamente ligadas a situações de incapacidade e que devem ser assistidas imediatamente, com ações de tratamento, orientação e reabilitação precoce.

2) PREVENÇÃO SECUNDÁRIA

  • Detecção precoce do recém-nascido de risco e encaminhamento para tratamento em serviços complementares, incluindo o apoio psicossocial, administração de medicamentos, técnicas de reabilitação, orientação e redução da exposição a riscos, impedindo a evolução da doença e prevenindo complicações e instalação de seqüelas.
  • Condições de obtenção de equipamentos e instrumentos para uso pessoal e para a adaptação do domicílio, dos ambientes de trabalho e de ensino.

3) PREVENÇÃO TERCIÁRIA

  • Melhora das condições de acessibilidade, eliminando barreiras arquitetônicas e urbanas, garantindo livre movimentação nos transportes, nas ruas e nos estabelecimentos e facilidade no uso de equipamentos públicos.
  • Construção de uma sociedade inclusiva.
  • Reabilitação adequada e continuada.
  • Programas de incentivo à independência física e intelectual.
  • Educação e preparação para o trabalho.
  • Participação da família como coadjuvante no processo de adaptação, inclusão e melhoria da qualidade de vida.
  • Revisão nas políticas de seguridade social e legislação que permita a garantia de direitos.
 

 

 

 





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