4 - DEFICIÊNCIA SENSORIAL


DEFICIÊNCIA VISUAL

A deficiência visual ocorre em 2 grupos: A cegueira, que é a perda da percepção luminosa ou ausência total da visão e a visão subnormal, que é o grau em que a deficiência visual interfere ou limita o desempenho do indivíduo.

Causas diversas:

  • Infecções congênitas como rubéola, toxoplasmose e sífilis;
  • Conjuntivites neonatais;
  • Acidentes com objetos cortantes ou pontiagudos (facas, tesouras, garfos, chaves de fenda, lápis, canetas, palitos, arame, animais e plantas pontiagudas);
  • Exposição a produtos químicos e de limpeza (água sanitária, soda cáustica, álcool, detergentes, etc.);
  • Doenças infecciosas como o tracoma;
  • A oftalmia neonatorum: é uma conjuntivite que se manifesta nos primeiros 12 dias de vida. É provocada pela contaminação dos olhos do recém-nascido durante sua passagem pelo canal de parto.
  • Xerofatalmia, causada pela falta de vitamina A e agravada pela desnutrição;
  • Fibroplasia retrolental - causada pela alta concentração de oxigênio nas incubadoras;
  • No trabalho as causas são: a má iluminação ou excesso de luz, exposição à poeira, inseticidas, vapores ácidos, solda ou objetos volantes. A maior incidência de acidentes perfurantes em adultos ocorre no trabalho, devendo-se usar equipamento de proteção adequado quando a atividade exige, como óculos e máscaras.


Catarata

Doença em que o cristalino, que é a lente natural do olho, situada atrás da pupila, torna-se opaco, impedindo a passagem de luz até a retina, onde as imagens são formadas e transmitidas ao cérebro. A pupila torna-se esbranquiçada e o cristalino fica com uma coloração leitosa. A formação da imagem fica parcial ou totalmente prejudicada.

A forma mais comum de catarata é a que ocorre após os 60 anos de idade, como resultado do envelhecimento, mas também pode ocorrer antes dessa idade por vários outros fatores como traumatismos, inflamações oculares, predisposições genéticas ou defeitos congênitos, diabetes, exposição à luz ultravioleta, desnutrição, tabagismo e o uso de determinados medicamentos.

Existe também uma forma de catarata que atinge recém-nascidos, a catarata congênita, que é a principal causa de cegueira na infância, sendo responsável por 30% dos casos. Ela pode acontecer em decorrência de doenças no período da gravidez, como rubéola, toxoplasmose ou sífilis.

Não existe método de prevenção específica para a catarata. O único tratamento disponível é a cirurgia, mas nem todas as cataratas são casos de urgência ou precisam ser operadas. No caso das cataratas congênitas, no entanto, a cirurgia deve ser feita o mais cedo possível, pois é a única forma de dar à criança a possibilidade de ter algum grau de visão.


Glaucoma

É uma doença que causa lesões no nervo óptico, responsável por levar ao cérebro as informações visuais captadas pela retina, causando alterações no campo visual e podendo levar à cegueira. Está relacionada ao aumento da pressão dentro do olho. O risco de apresentar a doença é maior para os negros, os míopes, pessoas com mais de quarenta anos de idade e pessoas com histórico familiar da doença.
O glaucoma pode ser congênito, atingindo crianças recém-nascidas; agudo, quando a pressão intra-ocular aumenta subitamente, atingindo principalmente mulheres entre 40 e 60 anos de idade e tipo crônico simples, mais comum, que não é perceptível no início porque não provoca dor e quando a pessoa apresenta algum sintoma, em geral visão diminuída ou dor ocular, a doença já pode estar em estágio avançado e irreversível. As crianças com glaucoma congênito lacrimejam muito, não toleram a luz e tem os olhos grandes, muitas vezes azulados ou esbranquiçados. Pode atingir um ou os dois olhos.

A doença deve ser diagnosticada e tratada no início do processo, antes que o nervo óptico tenha sido muito danificado. O diagnóstico é feito através da medição da pressão do olho, em exame feito de rotina na consulta oftalmológica. Quando o glaucoma é descoberto precocemente, há tratamentos eficientes. Às vezes, o uso correto de colírios ou outros medicamentos recomendados pelo oftalmologista é suficiente para controlar a doença, impedindo uma evolução para a cegueira. Às vezes é necessária a cirurgia.


Degeneração senil da mácula ou degeneração relacionada à idade

A degeneração macular relacionada à idade (ou senil) é a lesão ou esgotamento da mácula do olho, que é uma área do fundo do olho que permite enxergar claramente pequenos detalhes. É a maior causa de perda de visão central em ambos os olhos, após os 50 anos de idade. Até o momento não se conhece a causa, mas sabe-se que ela está relacionada ao envelhecimento, e pode atingir qualquer pessoa acima dos 50 anos. No entanto, as mulheres e os fumantes correm maior risco de apresentar a doença, assim como pessoas com histórico familiar da doença e pacientes com níveis de colesterol altos.

O diagnóstico precoce da doença aumenta as chances de se evitar o seu progresso. Existem terapias para melhorar, estacionar ou tornar mais lenta a progressão da perda visual.

Ambliopia

Quando a visão é baixa e insuficiente em um olho ou nos dois, especialmente das crianças, devido a amadurecimento anormal da visão. Normalmente cada um dos dois olhos envia uma imagem para o cérebro, que precisa juntá-las em uma só. Na ambliopia, porém, quando cada olho está fixando um ponto, o cérebro recebe duas imagens diferentes entre si e não consegue fazer a fusão das duas, eliminando a imagem que vem do olho desviado. Essa supressão do olho desviado faz com que não haja desenvolvimento de sua capacidade visual e ele acaba ficando deficiente. As causas mais freqüentes são estrabismo, erros de refração (anisometropia, hipermetropia), catarata congênita ou qualquer outro fator que impeça o foco de imagens nítidas na retina. A ambliopia é tratada com a prescrição de óculos e a utilização de tampão no olho sadio para se estimular o olho preguiçoso a desenvolver a visão. Se o olho amblíope não for tratado, a perda visual será irreversível.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA

É a incapacidade parcial ou total da audição. A deficiência auditiva pode ser classificada como:

- Deficiência de transmissão – quando o problema se localiza no ouvido externo ou no ouvido médio;

- Deficiência interna ou neurosensorial – quando se origina no ouvido interno e no nervo auditivo;

- Deficiência mista.

Ela ainda pode ser:

- congênita: infecção materna por rubéola na gravidez, hereditariedade, ingestão de medicamentos ou tóxicos, alcoolismo, exposição à radiação, diabetes, hipertenção, e infecções por sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose e herpes, que lesam o nervo auditivo se ocorrerem durante a gestação;
- adquirida: Existência de predisposição genética (otosclerose), prematuridade, anóxia (falta de oxigênio), uso do fórceps, meningite, ingestão de remédios ototóxicos, viroses, otites bacterianas, sífilis adquirida, sarampo, caxumba, exposição a sons impactantes (explosão), acidentes e traumatismos cranianos.

Existe ainda a presbiacusia, que é a perda da audição no idoso, devendo-se ao desgaste natural devido ao envelhecimento.

A perda da audição interfere gravemente na condição mais importante da vida moderna, que é a comunicação. As crianças deficientes auditivas possuem capacidade mental normal, mas devido à falta de informação, é comum que sejam tratadas ou confundidas com deficientes mentais. Na fase adulta, a surdez é uma barreira ao desenvolvimento profissional, social e psíquico. Na terceira idade, a situação piora porque já existem tendências à introversão, à segregação e ao preconceito em relação ao idoso.

A surdez de condução às vezes pode ser tratada com medicamento ou cirurgia. Na surdez do idoso, a perda de audição pode ter um grau de melhora com a prótese (aparelho de surdez), porém em muitos casos de surdez neurossensorial, a solução é difícil ou impossível, ficando por conta da prevenção a melhor forma de combater o problema, sendo fundamental o diagnóstico precoce e o tratamento na infância.
As medidas de prevenção primária ficam por conta de campanhas de vacinação de mulheres jovens contra a rubéola, exames pré nupciais, pré-natal adequado, vacinação infantil contra sarampo, meningite, caxumba e outras doenças. Evitar exposição a ruídos que agridam o ouvido. Prevenir a surdez ocupacional nas empresas e indústrias, com proteção de ouvido para empregados expostos a muito barulho e testes de audição periódicos.

As medidas secundárias são o diagnóstico e o atendimento fonoaudiológico imediato, programa de estimulação precoce a educação infantil.
Um exame importante e simples é o teste da orelhinha, também chamado de emissão otoacústica, que permite avaliar a audição do recém-nascido e que deve ser realizado a partir do nascimento, preferencialmente nos primeiros 3 meses de vida do bebê, detectando perdas precoces que dificultam o aprendizado da linguagem.

As medidas terciárias são as que limitam as conseqüências do problema e melhoram o desempenho do indivíduo na sociedade, como por exemplo, educação especial e a língua de sinais.

 

 

 

 

 

 

 





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