5 - DEFICIÊNCIA MENTAL


É considerado como deficiência mental, o funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (conceito da Associação Americana de Deficiência Mental).

O diagnóstico de deficiência mental pode ser difícil, pois existe possibilidade de ocorrerem problemas de ajustamento social sem que haja especificamente a doença mental, como fatores emocionais, alterações de certas atividades nervosas superiores, alterações específicas de linguagem ou dislexia, psicoses, baixo nível sócio econômico, limitações sócio-culturais, falta de estímulos e outros.

A deficiência mental é um transtorno do desenvolvimento, sendo assim, de acordo com critérios internacionais, deve se iniciar antes dos 18 anos, devendo ser diferenciada das alterações degenerativas senis e cognitivas, como a demência.


As principais causas e fatores de risco são:

Durante a gravidez:

  • Desnutrição materna;
  • Má assistência à gestante;
  • Doenças infecciosas como sífilis, rubéola, toxoplasmose;
  • Alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de medicamentos (medicamentos teratogênicos), poluição ambiental, fumo;
  • Fatores genéticos:
    - Alterações cromossômicas (relativas ao número ou estrutura dos cromossomos), ex.: Síndrome de Down, síndrome de Matin Bell;
    - Alterações gênicas, ex.: Erros inatos do metabolismo (fenilcetonúria), síndrome de Williams, esclerose tuberosa.

    No período peri-Natal

  • Má assistência ao parto e traumas de parto;
  • Hipóxia ou anóxia (oxigenação cerebral insuficiente);
  • Prematuridade e baixo peso;
  • Icterícia grave do recém nascido - (incompatibilidade RH/ABO entre mãe e feto).

Após o nascimento

  • Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global;
  • Infecções: meningites, sarampo, etc;
  • Intoxicações: remédios, inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio);
  • Acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia, quedas, etc.
  • Infestações: neurocisticercose (causada pela larva da Taenia Solium).

Classificação

A classificação da OMS leva em conta o conceito quantitativo, baseado em medição do QI, podendo ser leve, moderado, grave e profundo, passando do quadro mais favorável, em que as crianças podem desempenhar várias tarefas com supervisão até o quadro de total incapacidade de autonomia.

Outra classificação atual da deficiência mental não leva em conta o conceito quantitativo de retardo leve, moderado, grave profundo, mas sim, a especificação do grau de comprometimento funcional adaptativo. É uma avaliação qualitativa, enfocando o deficiente quanto à sua capacidade de adaptação, sua autonomia e o apoio requerido por cada um:

  • Dependentes: Nos casos em que é necessário o atendimento por instituições.
  • Treináveis: Crianças que se colocadas em classes especiais poderão treinar várias funções, como disciplina, hábitos higiênicos, etc.
  • Educáveis: A inteligência é dita “limítrofe ou lenta”, podendo estas crianças permanecer em classes comuns, porém com acompanhamento psicopedagógico especial.


HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO E FENILCETONÚRIA

São doenças que podem ocasionar lesões cerebrais irreversíveis, podendo ter controle se forem detectadas e tratadas precocemente. Os primeiros sintomas surgem por volta do 6º ao 8º mês de vida, devendo ser feita a detecção a partir do 3º. dia de vida, com o chamado teste do pezinho, realizado através de coleta de amostra de sangue no pezinho do bebê.

Hipotireoidismo Congênito

É um defeito congênito do metabolismo, no qual existe a falta de uma enzima que possibilita a produção do T4, hormônio tireoidiano. Sem a enzima o hormônio não se forma, tendo como conseqüências, falha no desenvolvimento e no crescimento do organismo, inclusive o cérebro, sendo a deficiência mental uma das seqüelas mais importantes. Estima-se que 1 em cada 3.000 recém-nascidos seja portador de hipotireoidismo congênito.

O tratamento é a administração de hormônio tireoidiano, sob controle médico, podendo o indivíduo levar uma vida normal.


Fenilcetonúria

Defeito congênito do metabolismo, no qual também a carência da produção de uma enzima impossibilita o organismo de metabolizar e eliminar o aminoácido fenilalanina. O excesso do aminoácido no sangue é toxico, atingindo principalmente o cérebro, tendo como conseqüência a doença mental. Estima-se que 1 em cada 10 mil recém nascidos é portador de fenilcetonúria.

O tratamento é feito pelo o controle alimentar com dieta especial à base de leite e alimentos que não contenham fenilalanina, que possibilita ao portador de fenilcetonúria, uma vida normal.


ERITROBLASTOSE FETAL OU DOENÇA HEMOLÍTICA DO RECÉM NASCIDO

É uma Incompatibilidade sanguínea (Fator RH) entre o sangue materno e o sangue fetal.

Uma mulher RH (-), cujo marido é um homem RH (+), poderá ter um filho RH +; As hemácias do filho, portadoras do fator RH (+), poderão sensibilizar o sistema imunológico da mãe e esta irá produzir anticorpos que, passando para a circulação do filho, têm a capacidade de destruir suas hemácias, surgindo a doença. O feto poderá falecer durante a gestação ou após o nascimento, podendo ainda desenvolver icterícia grave, com possível doença mental, além de surdez e paralisia cerebral.

A gravidade da doença depende do grau de sensibilização da mãe. O primeiro filho, pode ser pouco afetado, mas nas futuras gestações, as chances de ocorrerem o problema aumentam, assim como a intensidade dos danos causados ao feto. Na mulher RH (-) cujo marido e o feto têm sangue RH (+), pode ser feita a administração da gamaglobulina anti-RH imediatamente após o nascimento do bebê. A gamaglobulina anti-RH bloqueia o processo de sensibilização que produz anticorpos contra o sangue RH(+). Ela fornece à mãe uma dose temporária de anticorpos que destroem hemácias RH(+) que possam penetrar na corrente sanguínea materna durante o parto, impedindo que a mãe produza anticorpos permanentemente.

Nos casos em que o feto nasce afetado, pode ser necessária uma transfusão de sangue total.

É estimado que seja a causa de 3 a 4% dos casos de deficiência mental.

 

 

 

 

 

 

 

 





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